sexta-feira, 26 de julho de 2013

Descoberta

Em meio ao inverno, meu corpo frio se depara
de maneira inusitada
Ao seu
Eu mesmo já nem procurava
Estava na descoberta de mim mesmo.
Aquela, que nunca termina
Pois pra conhecermos bem aos outros
Temos antes que nos conhecer, reconhecer
E durante todo esse período de descobertas
Aprendi a gostar de mim da maneira que sou
Aceitei meus erros, são meus desafios
E me alegrei pelas minhas qualidades
Entrei no meu Eu e
Conhecendo-me, te conheci
Não esperava que de maneira tão rápida
Receberia seu calor
Pois quando menos esperava
Pode parecer piada, mas encontrei o amor.

(Danillo Barros)

domingo, 9 de setembro de 2012

Da verdade

Tantos passam a vida toda
Na busca do amor de verdade.
Podem fingir que não, mas no fundo, é a realidade.
Ninguém quer morrer sozinho; ninguém quer morrer sem amar.
E então procuram, nos mais diversos lugares
Nas mais diversas pessoas
Nas mais diversas vontades
E se enganam
E se iludem
E caem
Levantam
E voltam a cair
Como numa ciranda que sempre parece estar próxima do fim
Mas que na verdade está voltando ao seu inicio
Que inicio?
Mas enquanto muitos gastam toda a vida na busca do amar
Outros tantos não querem dispor do tempo para se construir o amor
O querem enlatado, formatado, pronto pra uso
Amor fast-food.
Relação, traição, afeição, desilusão, solidão
Se misturam
Nessa dança, de todos os ritmos
Onde pensa-se mais em si do que no amor
Mas o que é o amor
O amor é pra ser seu
Ou ser para outra pessoa?
E então, o que será que aconteceu
Aos amantes dos portões
Das serestas
Do fitar com o olhar
De dizer tudo sem dizer uma só palavra
Do abraço que transmite toda a segurança
Do afago que engrandece a alma?
Abraça-se a vaidade
Quem, de fato, é que sabe amar?
Como se o amor estivesse lá
No fim
Da estrada sem fim
Inatingível
Aquela luz no fim do túnel
Que parece nunca chegar
Não temos culpa
Ou vontades
Talvez a desculpa
Seja a pouca idade
Ou, quem sabe, a necessidade
De mostrar à sociedade
O valor do que não tem
Valor de verdade.

(Danillo Barros)

domingo, 26 de agosto de 2012

Desabafo


26 de agosto de 2012. Hoje, faltando menos de três meses para receber meu diploma, é quando finalmente percebo: não fui eu quem escolheu a Medicina. Deus foi quem me escolheu para ser Médico. E eu, sinceramente, não entendo o porquê. De verdade, penso que seria melhor em muitas outras atividades. Mas agora, entendi que Ele quis me conduzir por esse caminho, e já vinha moldando meus passos desde que ainda era criança. Pensava que poderia ser desejo do meu pai, da minha mãe, e meu, é claro. Mas tudo parece mais claro agora. Não conseguiria, eu próprio, tirar de mim força para enfrentar tantos obstáculos, ao longo de todos esses anos de preparação para obter meu diploma – muitos anos, pois não foram apenas os seis da faculdade, mas desde o Ensino Médio e o cursinho pré vestibular, quantas não foram as horas despendidas para o estudo, tanto estresse, tanta cobrança, tantas abdicações...

Contudo, se assim Ele quis, sinto-me mais reconfortado, pois tenho plena confiança no meu sucesso, sabendo quem verdadeiramente me guia. Choro, não de tristeza, mas de extrema felicidade. Não me julgo competente o suficiente para tamanha honra. Entretanto, me recordo do Salmo 23, me dizendo “O Senhor é meu pastor, e nada me falta. Em verdes campos me faz repousar, conduz-me até as fontes tranqüilas e reanima minha vida. Ainda que eu ande pelo vale das trevas, não temo mal algum, porque estás comigo.”. Que assim seja!

Sei que está parecendo discurso de formatura (que está muito, muito perto!!), mas a necessidade de escrever e compartilhar meus pensamentos é maior que o cansaço. Agradeço a todos que tem se preocupado comigo, contribuindo com energias positivas. E obrigado por terem tido paciência de ler este desabafo!

sábado, 18 de agosto de 2012

Em Pedaços

Se fosse há alguns anos, ele imaginaria ter resposta pra tudo. Mas hoje, com tantos problemas e aflições, descobriu que as coisas nem sempre ocorreram da maneira que desejara. Tenta, em vão, voltar no tempo, reconstruir seu passado, corrigir os erros. Olho para o rosto desse rapaz através do espelho. Parece que o conheço, me parece familiar.  Seria bom descobrir as historias através de seus olhos, cansados e marejados, mas que também sabe embalar como despedidas ou cantigas de ninar. Mas não encontro forma de ajudar. E Ele parececometer novamente os mesmos erros. Sem saber a que lugar pertence, sem saber o caminho de casa. Na verdade, não sei se ele deseja mesmo voltar para casa. Foge das mentiras, foge daqueles que o fizeram chorar por dentro. Não encontro em meus pensamentos palavras certas de conforto ou frases prontas para tirar-lhe o medo e mostrar que, um dia, toda solidão irá desaparecer.

Ele já não é mais um garotinho. Precisa aprender a enfrentar o mundo por suas próprias pernas, como um homem de verdade. Vê o sol surgindo pela janela, fitando-o. E ele sonha sobre o que poderia acontecer ao seguir o caminho do sol.  Embora jovem, já teve grandes experiências. Não fecha os olhos para o passado, e em orações melancólicas, ainda é capaz  de  vislumbrar seu futuro.

(Danillo Barros)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Coragem

Coragem: 1. Bravura em face do perigo; 2. Intrepidez, ousadia; 3. Resolução, franqueza, desembaraço; 4. Perseverança, constância, firmeza. (Aurélio)

Coragem é assumir-se como é, com as virtudes e defeitos, e não ter vergonha de compartilhá-los com quem te quer por perto, é o empenho em modificar para lutar por aquilo que se deseja, para ser sincero consigo e com os outros, para não desistir fácil, para procurar ajuda no colo de quem se importa...  E por que falo sobre isso? Porque mais uma vez, meu coração emburrece. Apaixonei-me novamente, acreditei em suas palavras. Aquela conversa sobre aproveitar oportunidades, de estar no lugar certo no momento certo, do encontro... parabéns pela bela interpretação! Agi como tolo, pois acreditei no seu carinho e nos seus desejos, e em tudo o que você me disse. Como pôde mudar tão rápido seus sentimentos, como pôde me fazer acreditar em algo que, alguns dias depois, você disse não estar preparado para enfrentar? Será apenas uma desculpa pueril, ou há verdades não-ditas? Mereço mais do que palavras ditas da boca pra fora, sem significado. Sinto como se tudo agora soasse falso.  Seus sinais me levaram a crer que eu não deveria frear meus sentimentos; meus amigos alertaram “não vá com tanta pressa, tudo é ainda recente”, porém você me fazia acreditar que eram eles quem estavam enganados. No fim das contas, fui eu quem me enganei.

(Danillo Barros)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Eu Luto Pelo HUAP!

Hoje pela manhã acordei e resolvi escrever, não que estivesse com tempo sobrando, mas porque estava indignado com a falta de foco das matérias publicadas na mídia sobre a manifestação dos estudantes da UFF (grupo do qual faço parte), reivindicando melhores condições para o Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), hospital-escola da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Por que devemos lutar por um serviço público de qualidade? Como me disseram, em resposta àqueles quem pagam seus Planos de Saúde (mais os impostos ao governo) e reclamam da mobilização: "pagar duas vezes e não cobrar pelo serviço se chama imbecilidade". Segue abaixo o meu texto:

Manifestação em frente ao HUAP, dia13/12.
Parte da população não apoiou a manifestação dos estudantes da UFF pelas melhorias no serviço do Hospital Universitário, alegando que era uma grande baderna, que criamos caos no trânsito (nós, ou a cidade que não tem infra-estrutura?) e que só pensamos no nosso emprego público, além do fato da maioria da população já ter plano de saúde e não necesitar do HUAP. Esses comentários são dolorosos, pois tudo que queremos é que nosso hospital tenha condições de atender bem a população; não é nosso emprego que está em jogo, mas sim na saúde da cidade. Talvez a maioria das pessoas no mundinho "zona sul" tenha plano de saúde sim, mas quem fala isso não tem a menor noção da realidade de uma cidade grande, da quantidade de gente sem condições de pagar pela saúde. Ontem eu estava atendendo no ambulatório, e pude ver  a frustração nos olhos de um paciente, que estava na FILA PARA CIRURGIA PELO SUS HÁ TRÊS ANOS, ao ouvir do médico "não podemos marcar novas cirurgias". Isso é REVOLTANTE!!! Não posso esperar nada do diretor do HUAP, nem do Magnífico(?) Reitor da UFF, nem do prefeito de Niterói... e mais triste ainda é não poder contar com o apoio da população, que deveria ser a principal interessada, e nem com a ajuda da mídia, que se interessa mais pelo trânsito do que pela Saúde Pública... Deixo aqui meus sentimentos de indignação e tristeza, mas também a esperança de que as coisas possam melhorar. Há cinco anos, quando entrei, com muito orgulho, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense, via o HUAP como um lugar onde eu iria ter as mais incríveis experiências médicas, e me orgulhava de ter um Serviço de Emergência funcionando bem. De lá pra cá, as coisas só foram piorando... E, por isso, EU LUTO PELO HUAP, meu hospital, que sei que não é perfeito, mas é muito querido por mim e por todos os estudantes da UFF que se utilizam dele no caminho para se tornarem os profissionais de qualidade que anseiam ser! Força, pessoal, não vamos desistir! Nossa voz terá que ser ouvida! Paz e bem.

(Danillo Barros)

sábado, 22 de outubro de 2011

Presença

Sua ausência é a presença
Que se apresenta sob dor
Pesar, melancolia, esperança
No vazio que você deixou.

No lugar a que você era dedicado
Agora está sua ausência
Que se faz presente, tão firme.
E, de tão firme
Me faz pensar:
“O vazio é lenda,
Já que, afinal, é a presença
Da saudade que aqui ficou”.

(Danillo Barros)

domingo, 10 de abril de 2011

Fim


Confesso, me senti um pouco desnorteado. Foi um longo verão sozinho, pode ter certeza. Às vezes é difícil esquecer de tudo por completo, como se nada daquilo tivesse realmente existido. Tantas experiências, tantos fatos, tantos sentimentos...
Se agora ouço uma batida na porta, é apenas o vento. Se recebo alguma carta, apenas mais uma conta. Se o telefone toca, é engano.
E será que eu mereço? Alguém neste mundo merece a dor por amar? Sei que vai doer até cicatrizar por completo, mas o tempo faz milagres, como dizem. Percebo que, afinal, não sabia de tudo. Como vejo agora, esse fim foi importante para um processo de amadurecimento, de ambas as partes, acredito. É errando que se aprende, e é caindo que se levanta. Mas ninguém errou, necessariamente. Foi a vida que nos levou a caminhos diferentes, quando parecia que nossas estradas estavam se juntando para nos levar ao mesmo destino.
E agora que não somos mais "um", o que eu preciso é deixar você ir, da minha alma, meu coração... Ou que, no máximo, fique por lá, mas num lugar de difícil acesso para meu consciente alcançar. E é assim que tem que ser, eu sei. E independente de quão difícil for, estou certo de que ficaremos bem.

(Danillo Barros)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Poema das Mortes

São muitas mortes embutidas
Nas dobras de nossas vidas:
As metas inatingidas,
As amizades desfeitas,
As injustiças, as rejeições,
As incompreensões das mentes estreitas,
As tantas desatenções.
Existe morte, inclusive, na ilusão passageira!
São mortes muitas, antes da derradeira
Morre-se no desamar
E na dor do semelhante.
Morre-se a cada instante
Até mesmo de mal de amor.
Há morte no desencanto,
Quando seca o pranto
E o coração embrutece.
Ouso dizer!
A morte a teia tece
Naquilo que acontece
Ou deixa de acontecer.
A morte, enfim, traz consigo a desfaçatez:
Mil vezes a gente morre
Antes de morrer de vez.

(Lucia Moraes)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Estação

Me contaram que você partiu para uma viagem.
E seu  trem que não mais retornaria à estação de onde  saiu.
Você se calou. 
Emudeci também.
As dúvidas suspensas no ar. 
Difícil acreditar no que eu jamais acreditaria.
Era madrugada. 
Estava escuro. 
Ficou escuro. 
Nuvens carregadas pairavam sobre minha cabeça 
Bloqueavam a claridade,
Obscureciam minha visão, antes tão colorida.

Nada parece justo 
Quando vemos nossos sonhos escapando de nós, 
Sem termos tempo de dizer adeus.
Impotentes.
Mas não descrentes da vida.

Doces lágrimas compartilhadas
Nessa estação que não pertence a ninguém.

(Danillo Barros)